Cinema Novo
Logotipo

.Newsletter Fantasporto!

FANTASPORTO 2009 – O FESTIVAL CINEMA… CINEMA… E… MAIS CINEMA

Apesar da forte crise financeira Mundial e que afecta sobretudo os pequenos países como Portugal, o Fantasporto 2009 vai realizar-se e, seguramente, vai ultrapassar as melhores expectativas do Mundo Cinema, tendo em conta a qualidade e diversidade dos filmes a apresentar. A produção Mundial do corrente ano é excelente e, a grande dificuldade que encontramos no momento é a da ESCOLHA. A curto prazo daremos conta dos filmes integrantes das várias secções do certame mas gostaríamos agora de destacar o interesantíssimo núcleo de retrospectivas e homenagens que a 29ª edição do Fantasporto – Festival Internacional de Cinema do Porto vai apresentar. Assim, a edição de 2009 que se realiza entre os próximos dias 16 de Fevereiro e 1 de Março e em vésperas da grande comemoração, em 2010 do seu 30º aniversário vão olhar as cidades criadas pelo cinema, num ciclo denominado “Cinema e Arquitectura” e no qual vão participar em mesas redondas e workshops diversos arquitectos de renome Mundial, num programa cujo comissário será o Arquitecto Jorge Patrício.


Vamos também reviver experiencias memoráveis do festival que criaram, pode-se dizer, um autêntico um mito. Jorg Buttgereit, o criador de “Nekromantik” vem ao Fantas, duas décadas depois dos críticos portugueses terem dito que “haviam descoberto um cineasta, quando iam à procura de cinema ‘gore’”.
O Fantasporto 2009 olha, também, o “mau da fita”, que na verdade é um dos melhores realizadores portugueses, José Fonseca e Costa e, em vez de escolhermos um país para homenagearmos... demos um salto à Galiza... e, acreditem que vão ficar surpreendidos com o que se produz mesmo aqui ao lado. Para fechar este núcleo de mostras iremos homenagear a título póstumo Mario Bava, através do seu filho Lamberto, com a exibição de cinco dos seus filmes mais famosos, trazendo ao Fantas o cinema terror italiano que, nos últimos anos tem trazido aos espectadores do festival fortes “arrepios” e muito “gozo”.
Contando com o Alto Patrocínio do Ministério da Cultura, da Câmara Municipal do Porto e com o patrocínio principal da SUPER BOCK, entre alguns outros “sponsors”, o Fantas continua a ter no Teatro Rivoli, com as suas duas salas, a sua sede. Complementarmente irá utilizar a sua extensão “Cidade do Cinema” montada na praça D. João I, para em três novas salas exibir o programa Porto em curtas que exibirá cerca de 300 a 400 curtas metragens vindas de todo o Mundo. Todo o Norte do País, numa dezena de salas ZON Lusomundo vai também haver Fantas, prova clara que o Fantas continua a crescer, não envelhecendo, mas sim sedimentando o seu prestígio e imagem nacional e internacional.

CINEMA E ARQUITECTURA – AS CIDADES PENSADAS PELO CINEMA

Reflectir sobre a forma como o cinema tem tratado a arquitectura e o urbanismo é uma das propostas mais aliciantes para a edição 29 do Fantasporto.
Tudo começa pelo mítico “Metropolis” onde o grande cinema e a arquitectura se entrelaçam e têm uma relação priveligiada no ecrã. É com esse ponto de partida – como os arquitectos desenham a cidade e os realizadores o cinema – que o Fantasporto em conjunto com o comissário desta mostra, o arquitecto Jorge Patrício, seleccionou um conjunto de filmes chave como suporte para se abordar com arquitectos de relevo que participarão em mesas redondas e workshops a organização das cidades, o urbanismo e o seu planeamento.
Nessa selecção, de que fazem parte filmes como “Blade Runner”, “Dark City”, “Immortel”, “The Island” ou “Blindness”, na sua diversidade de perspectivas, vai ser assim o suporte para que arquitectos e cineastas se juntem abordando temas com a “cidade do futuro” e alguns outros.
Numa cidade de arquitectos tão famosos como Siza Vieira e Souto Moura e com edifícios tão emblemáticos como a Casa da Música de Rem Kolhaas, o Fantasporto quer assim garantir um espaço original de discussão sobre temas de extrema actualidade.

JORG BUTTGEREIT – “O” CINEASTA DE CULTO

Há duas décadas, a exibição de “Nekromantik” no “velho” Carlos Alberto foi uma das experiências mais marcantes do Fantasporto.
Jorg Buttgereit cineasta maldito na Alemanha, que trazia as bobines na bagagem de mão para evitar que fossem apreendidas na Alfândega, provocador síntese de sexo e morte, Eros e Thanatos, e gore, fez então as delícias de espectadores ávidos de experiências únicas. Com o passar do tempo Joerg Buttgereit continua provocador como sempre, polémico quanto baste e no intervalo das suas crónicas em jornais católicos sobre a morte e o pecado, continua a fazer furor com o cinema onde os traumas de Hitler e as perturbações da mente humana são o prato forte.
Os seus incontornáveis fãs reconhecem o talento de provocar os sentimentos mais profundos e inexplicáveis do ser humano.
A retrospectiva ao trabalho de Jorg Buttgereit inclui a totalidade da sua obra no domínio da longa-metragem: “Nekromantik” e “Nekromantik 2” (banido na sua Alemanha natal), “Der Todersking”, “Schramm e “Captain Berlim versus Hitler”, baseado numa peça de teatro do próprio, entre outros trabalhos de curta metragem e a sua mais recente longa metragem, ainda em fase de pós-produção.
No imaginário do cinema fantástico, neste caso de terror psicológco, “Nekromantik” ocupa um lugar de destaque. A estranha paixão entre dois necrófagos e um cadáver em decomposição é seguramente uma das imagens mais chocantes da 7ª Arte. Para quem participou no festim Buttgereit no Carlos Alberto há 20 anos atrás esta será uma oportunidade única para ver a obra completa do realizador. Para os mais novos a ocasião de ver algo singular na história do cinema e momento para descobrirem um novo grande e polémico cineasta.

MARIO BAVA – O MAESTRO DOS MESTRES DO FANTÁSTICO ITALIANO

Quando se fala dos grandes realizadores cinema de terror italiano – o célebre Giallo – e se invoca o nome de realizadores como Dario Argento, Michelle Soavi ou Lamberto Bava, convém não esquecer que o pai deste último, Mário Bava, é o fundador e alma máter deste sub-género de terror, que marcou o cinema fantástico italiano e europeu.
Iniciando-se no cinema como fotógrafo de Roberto Rosselini e fazendo a escola do neo-realismo italiano, nos anos 60, Mário Bava encontrou o seu lugar no topo dessa combinação de originalidade e, também se poderá dizer, de plágio e adaptação do que se ia fazendo em todo o Mundo. Cineasta de culto, inspirado nos clássicos de série B do terror da Hammer e das novas propostas de Roger Corman e da sua AIP, muitas das quais filmadas em Itália por questões de orçamento, Bava deu ao fantástico um toque latino, uma sensualidade mediterrânica, um erotismo de sociedades menos atreitas à censura. Em filmes como “The Girl Who Knew Too Much” (uma alusão clara e assumida a Alfred Hitchcock, não só no nome como na própria estrutura narrativa) a versão distribuída nos Estados Unidos sofreu vários cortes de censura, nomeadamente no que diz respeito às cenas mais ousadas de sexo e droga.
Neste relançamento do cinema europeu fantástico, numa altura em que o cinema americano já dominava o mundo, Mário Bava teve a sagacidade de se apoiar nos mitos do fantástico tradicional podendo assim encontrar nos seus filmes actores de renome como Barbara Steel, Boris Karloff e Christopher Lee, entre outros.
Mário Bava tem sido um dos mais esquecidos cineastas europeus, ele que é o maestro dos mestres e a quem o Fantasporto vai render homenagem com a exibição de alguns dos seus mais significativos trabalhos. Além do citado, “The Girl Who Knew Too Much”, serão exibidos, entre outros, a sua obra-prima “The Mask of Satan” com a voluptuosa e vampiresca Barbara Steel.

FONSECA E COSTA, O BOM DA FITA
VAI RECEBER O PRÉMIO DE CARREIRA DO FANTASPORTO

Nome grande do Cinema Novo português que ajudou a emergir com “O Recado” (1972), José Fonseca e Costa tem uma longa e profícua carreira de mais de meio século.
A maior parte dos filmes do cineasta, de origem angolana, estão centrados na comédia de costumes, de que são exemplos, “Kilas, O Mau da Fita”, “Sem Sombra de Pecado” e “Viuva Rica, Solteira não Fica” ou no drama social e político como em “A Balada da Praia dos Cães” e “Cinco Dias, Cinco Noites”. Fonseca e Costa é um dos mais representativos da vertente do cinema de autor português e um dos que uma mais forte relação com o público tem conseguido.
A presença do autor no Fantas em Fevereiro próximo vai ser assim ocasião para um reencontro do realizador e o seu vasto público, para uma troca de ideias sobre a 7ª Arte que culminará com a entrega do Prémio Carreira na Sessão de Encerramento da Vigésima Nona edição do Festival Internacional de Cinema do Porto. Esta será apenas uma das facetas da grande visibilidade que o Fantasporto dará ao cinema português.

CINEMA GALEGO, O REFORÇO DO EIXO NORTE - GALIZA

Em 2009 não será preciso ir muito longe para escolher a cinematografia a homenagear pelo Fantas. Habitualmente selecciona-se um país para celebrar a sua cinematografia. Mas, nos últimos anos tem-se verificado uma presença constante de filmes oriundos da Galiza, pelo que se justifica um destaque particular a uma produção autonómica em crescendo.
Prova desta vitalidade são as excelentes animações em co-produção com Portugal, que passaram no Fantasporto “O Bosque Animado” e “Onyria”, ou o premiado “Un Franco, 14 Pesetas”, Grande Prémio da Semana dos Realizadores do Fantasporto 2007.
Com a colaboração da Axencia Audiovisual Galega que está a ultimar o programa de acordo com os critérios culturais da Xunta da Galicia, a retrospectiva do mais recente cinema galego vai ser um dos expoentes do Fantasporto 2009.
O programa inclui os mais premiados filmes, a mais recente produção e uma selecção de curtas-metragens e documentários, uma das grandes apostas para o desenvolvimento de um cinema com identidade regional.
Nesta homenagem estarão incluídas manifestações paralelas, com destaque para as mesas redondas sobre o audiovisual galaico-português, o papel das co-produções e os festivais na promoção do cinema junto do grande público.
Por esta ocasião, o Fantasporto fará na Sessão de Encerramento do festival a homenagem à cinematografia Galega onde estarão presentes diversas entidades oficiais da politica à cultura e que sera complementada pela assinatura de protocolos de cooperação com a Xunta da Galiza.


 
Instituto do Cinema e do AudiovisualMinistério da Cultura BySide